*Cuidado, este é um post-retrospectiva disfarçado. Foge enquanto é tempo!

Meu primeiro não de 2010 foi quando aceitei um emprego numa loja de móveis. Em meia hora de expediente, sob uma febre daquelas mui bem-vindas no verão, eu já sabia que não ia rolar. Foi eu dispensar o trabalho que me ligaram do emprego atual, me contratando. E eu comecei a ver que dizer não talvez não fosse tão dolorido.

Em seguida, veio uma sequência de negativas: gente que não me serve, programas que não estava a fim de fazer, comportamentos que não me pertenciam, todos ganharam seu saquinho com N, A, O e ~. Botar limite nos outros tava me fazendo tão bem que, quando vi, foi da mesma forma que terminei o relacionamento mais longo e mais cheio de planos que já tive. Aquele que me trouxe pra esta cidade. E aí eu achei que minha vida fosse virar uma bagunça.

De fato, virou. Haaaja terapia gloriosa Juliana meo pai. É difícil ter que olhar pro que ficou: a pessoa que você se tornou sem perceber. Gorda, feia, sozinha, numa cidade estranha, longe dos amigos, sem planos pro futuro, num emprego que servia muito bem para pagar contas. A saúde, então, um lixo. Virei a pessoa mais insuportável do mundo por alguns meses, podem concordar. É óbvio que tudo se resolveu, embora o processo tenha sido um porre. E hoje eu posso dizer que estou esperançosa.

Quinta passada eu pedi demissão, e em mais ou menos um mês eu volto pra São Paulo. Não digo que é “de onde eu não devia ter saído”, porque eu precisava sim ter saído de lá. Exatamente pra fazer aquilo que toda música de pagode clama: DAR VALOR. São Paulo não é o melhor lugar do mundo, mas é onde minha bunda quer estar, agora que eu sei um pouco mais do que eu quero.

É claro que eu tenho muito a agradecer aos poucos e maravilhosos amigos que surgiram/reapareceram/se manifestaram. Em especial, João, Mariane e Dalila, o triumvirato que me tirou do aterrro sanitário do amor próprio. Os não citados riem enquanto descansam no quarto-e-sala que possuem no meu coração.

Foi isso. Chegaí, 2011, to curiosinha.

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Eu sou uma motorista novata. Muito embora eu tenha tirado carteira aos 18 anos e sete horas, na última década as minhas funções atrás de um volante sempre tiveram o intuito de poupar tempo/dinheiro dos meus pais.

– Fica aí enquanto eu vou ao mercado. Se chegar alguém, você tira o carro.
– Nem uma voltinha?

Morando em São Paulo, eu nem sonhava em ter carro. Se eu já conseguia perder a paciência como mera passageira no busão, imagina naquele anda-para sem fim? Fora que meu joelho nunca daria conta. Mas enfim, aí eu vim morar em Brasília. Dizem que quando você passa os limites da cidade, logo após a placa “Em Brasília evita-se buzinar”, vem outra dizendo “Assumimos que você tenha um carro”. E foi assim que me tornei motorista de verdade.

O problema é que dirigir traz à tona o que há de mais horroroso no ser humano. No trânsito a gente vira bairrista (“Alá a goianada!”), machista (“Ê Dona Maria!”), elitista (“Tinha que ser motorista de FIOLA”) ou simplesmente babaca (“Tá achando que seu 1.0 dá conta? CAI DRENTO”.). E se antes eu me implicava com a terrível mania dos motoristas mandarem o dedo do meio a torto e a direito, hoje sou eu que crio uma técnica pessoal para flip the bird sem causar maiores problemas.

É muito simples: apoie o braço na janela do carro, prendendo os dedos onde o termina o vidro. Deixe o pai-de-todos para cima e desça os outros dedos, podendo até deixar o indicador e o anelar semi-dobrados. Pronto! Não é mistério nenhum, tampouco novidade, mas garanto: é libertador!

Este blog não incentiva a discussão no trânsito, mesmo porque isso é coisa de mala… ops.

Minha relação com São Paulo é meio a relação que eu tenho com o Maminha, o cachorro: sempre que eu volto, me sinto acolhida e em casa, mas não sem antes passar por alguns estranhamentos, umas cheiradas constrangedoras.

Uma hora a cidade ainda me dá a patinha.

Existe uma coisa que me incomoda.

Não, peraí, vou começar de novo: existem 5.473.920 coisas que me incomodam, e uma delas é a cansativa mania que as pessoas tem de comentarem o óbvio.

– Pois é, né, é muito chato.
– GHAAAH!

Eu culpo o twitter. Quer dizer, eu culpo a humanidade em primeiro lugar, e aí as redes sociais – em especial o twitter. Porque ali tem aquela ferramentazinha “responder”, que as pessoas apertam sem o menor critério e fazem comentários idem. Tipo quando você comenta um fato, por exemplo, diz que em Brasília não chove. Sempre haverá um BEÓCIO que vai te responder “pois é, não chove mesmo”. Tá, não foi o que eu acabei de dizer? ORA CALE-SE!

(E, assim, eu nem vou entrar no mérito do conteúdo de cada post, porque todos nós escrevemos asneiras que clamam por um “NINGUÉM PERGUNTOU” como resposta)

Para não parecer que estou fazendo uma crítica ao mundo virtual, eis um pequeno exemplo one-on-one de obviedade irritante:

Lutava eu contra o tempo para descobrir onde ficava um aeroporto e assim pegar meu vôo, quando meu telefone tocou. Do outro lado, um membro familiar me alertava “faltam 15 minutos, você vai perder o avião”. E eu me perguntava o que teria feito a pessoa pensar que eu não tinha percebido isso ainda, pegar o telefone, ligar e me avisar. “Ah, obrigada, tava aqui DANDO VOLTA NA ROTATÓRIA, nem notei!”

Mas ainda tem variações piores. Por exemplo, aqueles que sempre tem uma solução (óbvia) na manga – acredite, não é que eles te entregam ali a cura do câncer. Uma boa frase que resume esse tipo é “mas você já tentou reiniciar?”. Pronto.

Tem também os que concordam com uma negativa, os que acham que vieram do futuro e portanto sabem mais (do mesmo), os que simplesmente repetem sua última frase para evitar o silêncio…

E você, vai deixar um comentário igualmente óbvio aqui?

É a cara de guaxinim que vai durar uma semana
E o twister de sombra preta que passou pela casa
A sensação de ter passado a noite abraçada a uma lixa de papel e de perder um pouco do controle – aquele, que corta todo e qualquer barato
A azia de tanto dar risada
O Cabaret Mineiro
É fazer dos 29 os novos 16
Escolher aparência sobre criatividade
Ainda pode, sabe?

E isso tudo passando na cabeça enquanto começam a cair os primeiros dois dos cinco pingos de chuva em Brasília, e no rádio, como num final de filme, sobem os créditos ao som de

Desde um pouco antes de eu nascer, meus pais já sabiam que eu ia me chamar Ana Beatriz – mesmo não tendo certeza se eu seria menina, menino ou capivara. Quer dizer, se eu fosse menino teria um nome seguido de Antonio, para continuar a tradição familiar. Podia até ser Ana Beatriz Antonio, quem sabe. Se eu nascesse capivara, aí não sei, precisa perguntar. E como toda criança que tem nome composto, eu também adquiri no kit-parto um apelido: Aninha. Esse gerou outros milhares até a chegada de outra Ana na casa, e assim eu virei Bia (e ela ganhou mais uns quinze nomes).

O que eu quero dizer com isso é que de apelido eu entendo bem, não sou daquelas pessoas que se irritam e pedem para serem chamadas pelo nome completo. E se de apelido eu tenho um fusquinha lotado, não vejo por que algumas comadres ainda insistem no vocativo FLOR.

Pra começar, meu nome não é Florência. Se eu fosse argentina ou jurada do Show de Calouros, beleza, podia até me plantar num jardim, mas não é o caso. Flor é cafona. Eu não tenho corola, eu não tenho pistilo nem gineceu, eu não dou em vaso. Eu REALMENTE não entendo o que que tem de tão lindo em chamar uma pessoa de flor. Pior: florzinha, flor do campo, FRÔ. Mas não para por aí.

XUXU, gente. Ou chuchu, que seja. Meus pais se chamam assim, até hoje, a ponto de serem reconhecidos em algumas rodas sociais como Os Xuxus. Desculpa, contei. Então se você me chama de xuxu, eu vou olhar em volta pra ver se meu pai ou minha mãe estão por perto, e portanto não vou te responder.

Bia é tão fácil, não sei por que a complicação. Até meus chefes, que são semi-incapazes de falar Beatriz (barreira da linguagem, não intelectual – que fique claro) já aderiram ao Bia, então só me resta pensar que, a cada FLOR ou XUXU que eu ouço, é uma forma inconsciente da pessoa fazer com que eu não responda.

Já era quatro da tarde do domingo quando eu lembrei que precisava fazer compras para preparar as marmitas da semana. Minha mãe estava passando um tempo em casa e sugeriu alguns pratos rápidos, pra eu não enlouquecer como de costume e acabar fazendo miojo só de raiva. Foi aí que ela lembrou de uma receita criada pela Edna, que trabalha lá em casa: o Chapisco.

O prato tem esse nome porque ele consiste num grude feito de legumes, arroz e carne moída, e se jogado na parede é bem capaz de criar o efeito homônimo. É tão fácil, tão rápido e tão gostoso, que já virou minha comfort food favorita – e a mais saudável, já que todos sabemos que eu sou bem amiga das frituras.

A receita é mais ou menos assim (sem medidas, porque grude dispensa essas frescuras):

– patinho moído (ou a carne de sua preferência)
– batata
– cenoura
– ervilha
– champignon
– arroz (fiz com integral)
– óleo
– sal a gosto

Frita a carne moída num pouquinho de óleo, até começar a soltar água. Mistura o arroz e os legumes, picados bem pequenininhos, nessa água e espera secar. Pronto, é isso. Se a água não for suficiente, acrescente mais aos poucos, sem ensopar a mistura. Pra dar uma corzinha, pode colocar um pouco de molho de tomate na carne.

Da próxima vez que eu fizer Chapisco, to até pensando em comprar pão francês pra jogar a mistura no meio e comer como buraco quente. Porque o Chapisco conquistou meu coração e vai ser feito semanalmente aqui em casa. Obrigada, Edna!

Esse recado é para os leitores tr00, que acompanham o blog pelo site mesmo, e não pelo twitter e facebook, onde a notícia já foi dada.

A novidade é que fui convidada pela espetacular/espetaculosa Dalila Góes para ser a terceira Maria do Maria Tá Na Moda. Então anota no seu google calendar: toda sexta-feira tem post novo sobre tudo o que anda acontecêindo nessa rede mundial de computadores de meu deus. E, claro, não deixa de acessar nos outros dias, pra ver o que as outras gatas, Dalila e Manoela, têm a dizer – elas sempre têm e é sempre ótimo!

Então é isso, guardem o endereço e acessem!

Um dia tive o prazer de escutar Damaged Goods, do Gang of Four, no rádio. Algumas músicas mais tarde, entram os Titãs cantando uma dessas velharias aí, Corações e Mentes.

E a pergunta que sobrou foi: quem se INSPIROU em quem?

Exhibit A – Gang of Four

Your kiss so sweet
Your sweat so sour
Sometimes I’m thinking that I love you
But I know it’s only lust

Exhibit B – Titãs

O teu beijo é tão doce,
O teu suor é tão salgado.
[…]
Às vezes acho que te amo,
Às vezes acho que é só sexo.

Enquanto vocês debatem, coloco aqui a versão dos gringos pra dançar enquanto arrumo a casa.

Telefone de casa toca, lá vou eu atender mais um engano.

– Por favor a Roberta?
– Número errado.
– É 303…
– Não, esse número era de uma Roberta, não é mais faz mais de ano.
– Ai que pena, ela acabou de ganhar uma hidratação facial…
– Nossa, pena mesmo. Mas é, sempre ligam atrás dela.
– Quer pra você? Sou representante da marca tal e tenho que distribuir esses vales.
– Er… ah, quero! Eu já fiz essa hidratação, gosto muito daquele creminho dos olhos!
– Sei, o que deixa com pele de bumbum de bebê. Então pronto, que dia você pode?

Eis que semana que vem terei uma representante de cosméticos aplicando uma hidratação facial em minha tez, pelo preço de uma ligação errada.
To falando, é talento.

Em uma nota relacionada, hoje também ganhei um sorteio de um famoso bar da cidade, sem nem saber que participava dele. Ganhei um livro, não sei sobre o quê.