Archives for category: don’t ask.

Parece que quanto mais esclarecido o mundo fica, mais um grupo de babacas resolve que é hora de inventar mais regras para tudo. Artigos retrógrados, para botar “tudo em seu devido lugar”. “Devido”.

O que me incomodou já tem uma semana foi aquele programa de “sexo” do canal cinco (aquele, gente, cês sabem). Não vou entrar no mérito do “mas por que você assistiu esse programa?”, porque eu assisti mesmo e resolvi opinar. Nele, uma apresentadora deveras superestimada mostra seu lado ousado ao falar de sexo com personas do elenco da emissora. Tipo um Video Show da genitália global. E quando as respostas dos convidados parecem bem razoáveis, dá-se voz ao público até tentar provar o contrário. Então, por exemplo, se um convidado diz que não se importa da namorada conversar com outros caras, um coro de “corno” ganha seu espaço no programa. Namoradas que fuçam celulares de namorados, namorados machistas pra burro, vi uma gama de maus-exemplos. E, no final, fica aquela impressão de que, se foi atestado em rede nacional, o comportamento está aprovado. Todo mundo está fazendo, façamos também.

Agora esta pérola aqui. A revista já se esmera em estereotipar mulheres. As capas são iguais, as matérias são um insulto à inteligência dos leitores e as regras de “bom-comportamento” vem em mensagens sub-liminares. Mulheres são rivais e homens são para agarrar, de preferência com uma chave de perna. Porque, convenhamos, amigá, homens são assim mesmo – ai, como eu odeio esse termo.

Desde quando precisa ter MANUAL pro primeiro encontro? Ou pro décimo? Desde quando é padrão que não se transe assim, logo de cara? PORQUE AÍ ELE NÃO VAI QUERER CASAR. Mas quem disse que eu quero? A vida é só isso mesmo?

“Pega bem”, “calma lá”, “não é de bom-tom”. Eu to recebendo uma autoridade ou conhecendo uma pessoa? Vocês realmente ficam como guarda de fronteira, esperando que o cara cruze a linha para poder falar “Desculpe, a Revista Babacova me falou que assim não pode”? Não, sério, “faça-se de difícil, que aí o cara vai querer mais”. BICHO. Que as coisas mais indisponíveis são as mais instigantes já é sabido, mas daí isso virar regra é muita idiotice. E como é que fica VOCÊ? Volta pra casa, reza duas Ave Marias? PELO MÉRITO DE TER ALGUÉM NO SEU PÉ NO DIA SEGUINTE? Que ano é hoje?

Aí tem também a capa da revista deste mês, com o seguinte título: SUPERE A EX DELE NA CAMA. “Alô, ex do meu atual? Faz favor, o que você costumava fazer com ele pra eu tentar fazer melhor? Que, sabe, quando eu dou pra ele eu dou pra vencer, eu só quero imprimir uma xavascona na memória dele”. Chega de criar rivalidade entre mulher, que mundo estúpido é esse? Ninguém mais vive de verdade?

Uma vez eu lembro de estar odiando gratuitamente a atual de um ex, como se ela, mesmo vindo depois, tivesse culpa do nosso fracasso. E uma amiga, grande Alessandra Nahra, falou: we’re all sisters. Quase dei na cara dela na hora, porque eu de fato não acreditava nisso. Mas o tempo nos faz bem, e hoje eu bato no peito e repito, mulheres, we’re all sisters, caras, we’re all brothers, e não é o gênero de alguém que vai nos separar. É falha de caráter, é sacanagem, é qualquer outro motivo relativo a si mesmo.

Se você ainda precisa de um livro de ditames para viver em sociedade, faça-nos um favor e vá viver nas montanhas. E homens, mulheres e capivaras, dêem voz ao que vocês acreditam, e não ao que uma revista diz ou deixa de dizer.

Advertisements

É a cara de guaxinim que vai durar uma semana
E o twister de sombra preta que passou pela casa
A sensação de ter passado a noite abraçada a uma lixa de papel e de perder um pouco do controle – aquele, que corta todo e qualquer barato
A azia de tanto dar risada
O Cabaret Mineiro
É fazer dos 29 os novos 16
Escolher aparência sobre criatividade
Ainda pode, sabe?

E isso tudo passando na cabeça enquanto começam a cair os primeiros dois dos cinco pingos de chuva em Brasília, e no rádio, como num final de filme, sobem os créditos ao som de

Sou conhecida por minhas declarações de amor eterno aos descendentes do glutamato monossódico, às bolinhas de farinha com extrato de tênis usado e a todo tipo de gordura existente nesse planeta e fora dele. Mas eu queria provar que não sou só um rostinho sujo de comida e um decote cheio de farelo, e mostrar que também dou um pouco do meu amor para os alimentos quem possuem raiz.


Cebola roxa, você é boa em tudo, até no meu café-com-leite.


Taí um alimento que você olha e pensa que faz parte da decoração. Mas faz um wrap cheio de coisa e bota o broto de alfafa no meio, pra você ver.


A caixa de cogumelos paris é uma das coisas mais caras do supermercado depois da tv de LCD, por isso, se eu compro, sou capaz de passar uma semana em lua-de-mel com eles. Vai no macarrão, na mini-pizza, na salada, no sanduíche e no meu travesseiro.


Eu já saí do conforto do lar para comer num lugar que tinha couve de bruxelas no buffet. Enough said.


Aprendi dia desses que couscous é feito de semolina, falta agora aprender o que é semolina e de onde vem. Couscous é minha solução para os dias que falta comida e eu não quero almoçar uma lata de atum. Fora que, quando fica pronto, todo fofinho, dá vontade de preparar uma piscina de couscous e nadar no meio.

Esse post é talvez o de maior non-sense já publicado neste blog, e eu não ligo. Meu coração agora só bate para comida e é pra elas que eu quero declarar meu amor.

Numa clareira do parque, a mulher gritava com alguém. O guarda desceu para ver e voltou dizendo “Acredita que é com o telefone?”. E ela implorava: “Prefiro morar num cubículo e pagar aluguel do que morar com você, mamãe”. Um momento com data apropriada para se dizer a verdade.
“Mamãe, eu quero paz!”

x

No restaurante, o cara alto, magro, grisalho e bonito entornava a garrafa número 3 de cerveja. A voz do pedido era meio embargada. “Aôu, uma Orizinau!”. Fumava Carlton e olhava para a rua. Não comeu nada. Na hora de pedir a conta, contestou as seis cervejas – eram só cinco. Depois, a nossa conta foi para ele, ao que ele arguiu que não tinha pedido Coca-Cola (nem picanha, nem água, só cerveja).
Saiu de lá cambaleando e entrou no carro. O garçom e nós dois pedimos secretamente para que ele não cruzasse o caminho de nenhuma família que comemorasse o dia das mães.

x

E eu passei o domingo com a pele ardendo e o corpo fraco.

É domingo, fim do dia, você tá lá fuçando nas colunas sociais. Aí pinta um nome que te desperta incômodo, mas a foto não corresponde. Você olha bem para a pessoa e pensa se algum dia já manteve algum tipo de contato que ultrapassasse as cordialidades rotineiras.
Sim, infelizmente ela sabe de boa parte da sua vida. É aquela sua ex-terapeuta picareta, a quem você deve uma sessão para aprender a “botar pontos finais nas coisas”.

Tá esperando até hoje.

Me deu vontade de saber com qual mão meus amigos escrevem. Conta aí.

E não, ninguém vai ganhar prêmio por isso.

Eu devia ter feito uma cartinha e jogado dentro da Padaria Sensação.

“Olá, mui caro senhor que mais parece um bêbado recolhido da sarjeta. A mortadela que compras é Ceratti? E o pãozinho, vai ser baguete ou ciabatta?
Ótimas escolhas.
Tomara que não te dê caganeira!

Beijinhos,
de uma das várias pessoas que você fodeu nos últimos dias.

P.S.: Não sexualmente.”

Ter um título de nobreza, hoje em dia, realmente não é nada. Já não bastasse herdeiros reais sujando o nome na lama, temos também membros da plebe querendo ostentar seu pedacinho de terra no brasão (e.g.: Conde Chiquinho & Princesa Carola).
Mas o que mais me assusta são os reinos propriamente ditos. Como a história de uma cidadã que clama possuir um punhado de fungos, suficiente para lhe garantir uma coroa no Reino da DST.

A gente reage como quando ouve uma coisa dessas? Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista?

Sábado à tarde na Rua Galvão Bueno, eu esperava minha mãe parada ao lado de uma senhora, que carregava a netinha de menos de um ano de idade. A menina tinha uns ciliões enormes, e ficou olhando curiosa para mim.
Nisso, chega um senhor japonês, cabelos e barba bem compridos, e começa a brincar com ela. Quando vejo, ele está LAMBENDO a cara da pobrezinha, sob aprovação da vovó. Bom, pensei que fosse o avô dela, né, com essa mistura toda ela bem se passava por sansei. Tá, mas aí eu olhei bem e comecei a notar que o senhor era, na verdade, um passante. E depois de lamber bem a menininha, ele catou a sacola dele e foi embora.

Er.

Ugh.

E por falar em ladrilho, no caminho do trabalho tem uma casa – dessas de nouveau riche que se descontrola nas estátuas gregas – cujo dono resolveu revestir a calçada com mármore. Não só, ele fez um caramanchão que pega toda a esquina, então é como passar num túnel de heras logo cedo.
Seria poético se o jardineiro não deixasse aquilo molhado toda manhã. E, confesso, eu torço prá tomar um tombo ali, para ter com quem reclamar.