Archives for category: casos de família

Eu tenho um amigo, o Vince, que tem como esporte mentir para taxistas. Coisa boba, de dizer que é engenheiro agrônomo em Bandeirantes, Paraná, ou fã de Information Society, o que vier à cabeça na hora. E tem vezes que ele inclui os comparsas na mentira, como da vez que eu virei uma colega baiana em visita a São Paulo – até eu perder o talão de cheque no táxi e ter que receber o motorista com a maior cara de bunda na minha “casa paulistana”.

O que a gente nunca imaginou é que a mentira poderia ser repassada como fofoca, e chegar direto ao alvo.

Na terça passada, fui com o Vince a uma boate, onde meu irmão ia tocar (sim, eu tenho um irmão. Longa história, conheci ele nesse dia). Dada a intensidade do encontro, obviamente o assunto se estendeu durante a volta para casa, a bordo do táxi. Eu desci em casa, Vince seguiu no carro.

Corta para sábado, onde tomei um táxi sozinha no mesmo ponto, para voltar para casa. Segue a conversa:

– A senhora não quis encarar a fila da boate?
– Na verdade eu tava em outro lugar. Mas eu vim aí terça, que é festa de rock. Meu irmão foi o DJ.

Silêncio. O motorista pára no semáforo e vira para mim.

– Deixa eu te olhar melhor… – digito 190 no celular e puxo o pino da porta, vai saber.
– Que que é?
– Você conheceu seu irmão na terça.
– Você é amigo dele? – bem burra.
– Não, sou médium.

Mais silêncio, mas deixo o pino em paz.

– Brincadeira, eu levei você e seu amigo para casa aquele dia.
– Gente, que coincidência! – alívio, duas da manhã não é bem hora pra situações curiosas.
– Seu amigo é professor, né? Você é casada?
– Não.
– Mas ele já teve um caso com você, né?
– QUE?
– Ai, moça, não vai falar que eu falei… Ele disse que não deu certo.
– Sussa, é o SONHO dele. – a essa hora já tava liberado ser escrota.

Na tela do celular, eu mandava todo tipo de impropério para o Vince. Lazarento. Mas acalmei o taxista, e deixei o aviso: nem todo engenheiro agrônomo de Bandeirantes, Paraná, ou fã de Information Society, é o que costuma contar.

Lendo a coluna da minha Adelaide, no blog Minas de Ouro, fiquei pensando se realmente o drama latino é o pai de todos os dramalhões. Porque eu acho que, se for mesmo latino, ele tem origem moura.

É simples: você sabe enumerar comportamentos dramaticamente latinos? Eu mesma só sei a cara retamada de maquiagem e sufrimieeeento. Quanto ao drama árabe, posso escrever um livro, no qual morro no fim.

Negociando com um árabe – Você sabe que pra conseguir uma boa barganha, tem que pechinchar. Os árabes amam pechinchar, afinal é quando eles podem botar pra fora todo o drama. Ele diz que é R$ 50, você quer pagar R$ 30, ele responde com “Assim meus filhos vão morrer de fome! Você quer matar meus filhos de fome?!”. Daí vocês topam R$ 40 e ninguém morre de inanição.

Pagando uma dívida – Essa a Brisa pode assinar embaixo. Você pediu para o seu parente árabe te comprar, sei lá, um cento de esfiha. Aí você vai pagar, como manda o óbvio, e é aí que começa o show. É, porque árabe que se preza RASGA DINHEIRO DE DÍVIDA. Tá duvidando? Olha aqui.

Jogando coisas no chão – Taí uma das práticas que mais presenciei na vida. Emputeceu um árabe? Ele taca as coisas no chão! Não faz muito tempo eu vi, por causa de um fax que não atendia do outro lado, um colega arrebentar os óculos. Passado o chilique, ele abaixou e ficou humildemente procurando as lentes espatifadas.

Matando os outros do coração/ “Quando eu morrer” – A vida do árabe não é nada sem um pouco de chantagem das pesadas. Me aborreceu? “Vou morrer do coração e a culpa é TODA SUA”. Não deu valor ao meu SACRIFÍCIO? “Quando eu morrer vocês vão sentir falta”! É assim, BEM LEVE o convívio.

Alguém da colônia comigo?

(Ivinha, não estou desmerecendo o seu maravilhoso CANAL-DRAMA no site, foi só uma coisa que pensei nas horas de tédio. Aquelas, muitas.)

Numa clareira do parque, a mulher gritava com alguém. O guarda desceu para ver e voltou dizendo “Acredita que é com o telefone?”. E ela implorava: “Prefiro morar num cubículo e pagar aluguel do que morar com você, mamãe”. Um momento com data apropriada para se dizer a verdade.
“Mamãe, eu quero paz!”

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No restaurante, o cara alto, magro, grisalho e bonito entornava a garrafa número 3 de cerveja. A voz do pedido era meio embargada. “Aôu, uma Orizinau!”. Fumava Carlton e olhava para a rua. Não comeu nada. Na hora de pedir a conta, contestou as seis cervejas – eram só cinco. Depois, a nossa conta foi para ele, ao que ele arguiu que não tinha pedido Coca-Cola (nem picanha, nem água, só cerveja).
Saiu de lá cambaleando e entrou no carro. O garçom e nós dois pedimos secretamente para que ele não cruzasse o caminho de nenhuma família que comemorasse o dia das mães.

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E eu passei o domingo com a pele ardendo e o corpo fraco.

Nonna pergunta para mim:

– Como chama seu namorado?
– Roberto.
Robert Taylor?

– Como chama seu namorado, mesmo?
– Roberto.
– Roberto Carlos?

E quão grande fosse a gama de galãs-Roberto, todas as associações dona Cidinha faria.

1.
Dia desses um amigo veio elogiar uma foto minha na praia, com uma amiga. Achei estranho, afinal minhas fotos na praia eram minhas com o Mano, e não estavam, assim, dignas de elogio. Mas ele falou com tanta ênfase que eu pedi para ele me mostrar a tal foto.
Batata. Era minha irmã.

2.
Recebi um e-mail de um amigo da minha irmã me convidando para a formatura dele. Ele dizia que o convite era para os amigos mais especiais, e que eles deviam se sentir honrados. Em seguida, ele me chamou no Messenger e reforçou o convite. Sem graça, afinal eu vi o menino uma vez na vida, agradeci e disse que provavelmente não estaria em Floripa no dia da festa.
Então ele se tocou. “Também, quem manda se chamar Ana?”
Mais uma vez, o recado era pra minha irmã.

O bom de crescer em uma chácara era a vasta gama de lugares que possibilitavam uma escalada, desde a nogueira velha no jardim até os batentes das portas, passando pelo maleiro do armário (e quase matando meu pai do coração).

Mas, quando subíamos no portão do condomínio, ouvíamos o seguinte aviso/grito:

– Desce já daí! Sabia que o filho da romichinaider morreu perfurado por uma lança dessas?

Sem ter a menor ideia de quem era o pobre menino, e achando que Romy Schneider era alemão para “a mãe de todas as desgraças”, descíamos na hora.

Que o aviso funcionava, é fato. Mas talvez uma referência menos confusa fizesse o serviço tão bem quanto.

O sobrinho JP estava comendo um doce, e passando as mãos sujas em todos os presentes. Ao passar a mão na calça do meu pai, ele brincou:
– Ai, JP, olha o que você feeez, sujou minha calça, buááá, vai encher de formiga… O que que eu faço agora?
JP, do alto de seu um ano e onze meses de idade, observa bem sério e responde:
– Limpa.

No carro novo de papai veio uma surpresa: dentro do porta-luvas, um saquinho vazio de Cheetos.
Mas que ultraje! Devia ter vindo cheio.

Ivone: o que voce está fazendo na uol? como atriz descoberta via Web?
não me contou nada!!!
como Clarice Falcão!

me: eu?
ALOCO
ela é feia, mãe!!!!

Ivone: noooooooooooooooooossa
seu c* que é feio

veja a foto, está igualzinha!
me: puts, é mesmo
eu só tinha visto na home
Ivone: veja a foto de dentro
até o cabelo é igual
eu nunca a vi fora essas fotos, mas é gêmea
e ela tem dezoito anos!!!

me: tem idade prá ser minha filha

Eu puxei o Mano pelo braço, apontei, e falei “Veja e entenda por quê eu estou com você”.
O cara não era feio a primeira vista, tampouco lindo. Tipinho comum, daqueles que usam camiseta justa de cores arriscadas e corrente de prata no pescoço. E chinelas, que ousado! A namorada tinha três estrelinhas atrás da orelha direita e bota de tranceira. É, aquela bota.
Em menos de cinco minutos no restaurante, ele já havia cometido umas oito faltas graves à mesa. Com as asas abertas tal qual uma galinha d’angola, ele ruminava (mastigar é prus fraco), gesticulava, lambia a faca, falava ao telefone aos brados e de boca cheia, e ria descontroladamente de/com um garçom específico. No meio do (pouco) assunto com a garota, ele levantava de repente e ia se servir no buffet. Ah, sim, e segurava os talheres como um neanderthal.
Nada se salvava. E pra completar, quando saímos, ele ficou secando o Mano.
Do pouco que eu consegui ler no balãozinho, ele pensava “Véi, é anabol. Certeza.”