(e nenhuma palavra sobre quantas eras faz que não atualizo isso aqui)

Lembrando de todos os apartamentos onde morei, são poucos os que não tinham um vizinho idoso, desses que precisam da vara pra espantar corvo. Num deles, lembro até da ambulância retirando a velhinha para o hospital, mas não sei dizer se ela voltou. Ou seja, por muito tempo eu me senti – e só eu mesma, não é que alguém me delegou essa função – a vigilante do infarto alheio, sempre procurando por pistas para poder socorrer o morimbundo vizinho a tempo.

Bom, tem algumas semanas que me mudei pra um apartamento novo, na continuação daquela saga toda de voltar para São Paulo. E algo que me incomodou, desde o dia que vim ver o imóvel, foi o jornal do vizinho da frente jogado no capacho.

Cada dia a mais do mesmo jornal por lá era um tanto a mais de minhoca na minha cabeça. Só que de noite eu via a luz da cozinha ligada, e achava tudo muito estranho. Será que a pessoa sofria de urtigonice avançada? Tipo eu? Não sai de casa faz 15 dias? Será que morreu assassinada e o assassino continua lá? Mas e o cheiro?

Até que hoje fui deixar o lixo na lixeira. E vi que o jornal nada mais é que PARTE do capacho, estampado.

Voltei para minha casa e terminei a pia de louça, que obviamente tava me fazendo falta.