A cena se repete em lares, restaurantes e refeitórios prisionais: ao notar o silêncio dos comedores, alguém sempre precisa quebrá-lo para comentar:

– Nossa, que silêncio, cês tavam com fome, né?

GHAH.

Tem também aquele dia que você chega no trabalho e não sente vontade de violentar as orelhas alheias com suas parvoíces, e isso te rende um dia inteiro de “que que cê teeem?“.

E tem aquelXs amigXs que, ao fim de um assunto, precisam logo emendar um “É. Ai ai.” para o silêncio não começar a doer. Entendam, assuntos acabam, não é culpa de ninguém, NÃO PRECISA COMENTAR SOBRE O TEMPO.

O silêncio é algo que veio para mim com a idade, ou com o auto-conhecimento, não sei. Só lembro de quando eu achava que ficar sozinha, quieta, olhando para o teto era pior que ter que encarar um prato de berinjela, e nessa época eu devia ser uma companhia de merda. Hoje eu acho que quem não consegue ficar um minuto em paz, sem emitir som algum, é atormentado. Acho mesmo, chego a recomendar terapia e tal.

Então se você ainda não conseguiu pensar em nenhuma promessa de ano novo, aproveita que dá tempo e CALA ESSA BOCA. Faz favor.

Era isso. ;)