Eu sou uma motorista novata. Muito embora eu tenha tirado carteira aos 18 anos e sete horas, na última década as minhas funções atrás de um volante sempre tiveram o intuito de poupar tempo/dinheiro dos meus pais.

– Fica aí enquanto eu vou ao mercado. Se chegar alguém, você tira o carro.
– Nem uma voltinha?

Morando em São Paulo, eu nem sonhava em ter carro. Se eu já conseguia perder a paciência como mera passageira no busão, imagina naquele anda-para sem fim? Fora que meu joelho nunca daria conta. Mas enfim, aí eu vim morar em Brasília. Dizem que quando você passa os limites da cidade, logo após a placa “Em Brasília evita-se buzinar”, vem outra dizendo “Assumimos que você tenha um carro”. E foi assim que me tornei motorista de verdade.

O problema é que dirigir traz à tona o que há de mais horroroso no ser humano. No trânsito a gente vira bairrista (“Alá a goianada!”), machista (“Ê Dona Maria!”), elitista (“Tinha que ser motorista de FIOLA”) ou simplesmente babaca (“Tá achando que seu 1.0 dá conta? CAI DRENTO”.). E se antes eu me implicava com a terrível mania dos motoristas mandarem o dedo do meio a torto e a direito, hoje sou eu que crio uma técnica pessoal para flip the bird sem causar maiores problemas.

É muito simples: apoie o braço na janela do carro, prendendo os dedos onde o termina o vidro. Deixe o pai-de-todos para cima e desça os outros dedos, podendo até deixar o indicador e o anelar semi-dobrados. Pronto! Não é mistério nenhum, tampouco novidade, mas garanto: é libertador!

Este blog não incentiva a discussão no trânsito, mesmo porque isso é coisa de mala… ops.