Desde um pouco antes de eu nascer, meus pais já sabiam que eu ia me chamar Ana Beatriz – mesmo não tendo certeza se eu seria menina, menino ou capivara. Quer dizer, se eu fosse menino teria um nome seguido de Antonio, para continuar a tradição familiar. Podia até ser Ana Beatriz Antonio, quem sabe. Se eu nascesse capivara, aí não sei, precisa perguntar. E como toda criança que tem nome composto, eu também adquiri no kit-parto um apelido: Aninha. Esse gerou outros milhares até a chegada de outra Ana na casa, e assim eu virei Bia (e ela ganhou mais uns quinze nomes).

O que eu quero dizer com isso é que de apelido eu entendo bem, não sou daquelas pessoas que se irritam e pedem para serem chamadas pelo nome completo. E se de apelido eu tenho um fusquinha lotado, não vejo por que algumas comadres ainda insistem no vocativo FLOR.

Pra começar, meu nome não é Florência. Se eu fosse argentina ou jurada do Show de Calouros, beleza, podia até me plantar num jardim, mas não é o caso. Flor é cafona. Eu não tenho corola, eu não tenho pistilo nem gineceu, eu não dou em vaso. Eu REALMENTE não entendo o que que tem de tão lindo em chamar uma pessoa de flor. Pior: florzinha, flor do campo, FRÔ. Mas não para por aí.

XUXU, gente. Ou chuchu, que seja. Meus pais se chamam assim, até hoje, a ponto de serem reconhecidos em algumas rodas sociais como Os Xuxus. Desculpa, contei. Então se você me chama de xuxu, eu vou olhar em volta pra ver se meu pai ou minha mãe estão por perto, e portanto não vou te responder.

Bia é tão fácil, não sei por que a complicação. Até meus chefes, que são semi-incapazes de falar Beatriz (barreira da linguagem, não intelectual – que fique claro) já aderiram ao Bia, então só me resta pensar que, a cada FLOR ou XUXU que eu ouço, é uma forma inconsciente da pessoa fazer com que eu não responda.