Dia desses eu tava almoçando com meu tio-avô, quando comentei sobre um colega de trabalho que era muito engraçado. Meu tio me perguntou se ele era egípcio, como se já soubesse. E aí me contou que o Egito é tipo o berço dos piadistas de plantão, o que fez muito sentido. Apresento-lhes, portanto, o amiguinho Osama.

Sim, o nome é de terrorista, ele mesmo explica quando perguntam: “Isso, igual ao Bin Laden”. Mas ele é um egípcio nascido a contragosto na Arábia Saudita, caçula de trezentos irmãos, sendo que ao mais velho se refere sarcasticamente como “meu irmão Mohamed que deus que proteja ele” (sic). Faz só quatro anos que o Osama veio morar no Brasil, e aprendeu português na marra. Porém, aos 24, já constituiu uma antologia .

Osama não vê a hora de conhecer uma “colher“, de preferência nordestina, para que possa amá-la do fundo “de sua fabricação“. E ele tem um amigo, o Thiago, que trabalhou anteriormente numa “o Zina“, aquele rapaz do Pânico. Para o mal-estar, Osama acha muito estranho que as pessoas tomem Eno, afinal isso é o que a gente canta antes dos jogos de futebol. Se estou quieta, ele grita “Bia quiriiiiiida, tudo tr’nquilo?”; se o Embaixador está no telefone, “manda parar com essa buluição sonora”; se aparece mulher no portão, ele grita o número do telefone. E se meu pai me liga, ele fica louco e quer falar também com o Antonio Nunesh – sim, ele ama o Pânico e o sonho dele é falar com sotaque carioca.

E não é que ele troca as palavras e se sente mal. A cada confusão, um novo termo Osâmico para todo mundo em volta usar. Tenta corrigir prá você ver, ele tira com a sua cara também.

Finalmente, a última do habibi fez a Embaixada vir abaixo em riso. Quando mencionei que levaria chanclish de aperitivo para o jogo da Copa, ele esperou um tempo e veio me perguntar mansamente se eu gostava de jogar xadrez. Disse que fazia tempo que não jogava, e perguntei o por quê do interesse. “Por que você falou que ia levar xadrez pro jogo”. Realmente, não faz sentido interromper um momento tão patriótico. Seria protesto?