Sempre fui daquelas crianças que não sofriam do ouvido, mesmo durante os anos de treino de natação. Ao contrário dos coleguinhas que usavam bolinha de silicone, viviam com otite e cera escorrendo costeleta abaixo (juro, tinha uma amiguinha cujo cerúmen fazia parte do styling dela), sofriam de dores e surdez temporária, eu saía livre, leve e solta de uma sessão subaquática. Mas aí chega a idade e a gente começa a experimentar doenças outras.

Ontem fui com alguns amigos para uma tarde no Lago Para-noir, como já está virando costume. Não quero comentar aqui a qualidade da água, mesmo porque eu não sou CANDANGA o suficiente para discorrer sobre, mas acho que boa, 100%, não é. E bastou eu mergulhar a cabeça para que meu ouvido tapasse e não mais voltasse a funcionar de acordo.

Sim, eu tentei dar os tais pulinhos. Eu quase desloquei meu pescoço de tanto bater a cabeça pro lado, mas não adiantou. Cheguei até a achar que tinha entrado um GIRINO pela minha trompa de Eustáquio. Mas pior que ficar surda são as dicas que me deram para desentupir o ouvido. Vem comigo:

– Azeite quente – Olha, eu já devo ter lido sobre isso em algum livro de mafiosos, como forma de tortura. Do jeito que eu sou JEITOSINHA, é capaz que eu queime até o cérebro numa manobra mal-calculada.

– Cera de vela – A dica vem aqui dos brimo. Faz-se um cone de papel, pinga uma vela dentro deste, até que a cera escorra para o ouvido, seque, e aí é só puxar AS ceras de uma vez só. NEM. FUDENDO.

– CAULE DE MAMOEIRO – Sim, você leu certo: caule de mamoeiro. Dotô Marcos que me passou a receita, diz que no Tocantins é um must. Você pega um caule de mamoeiro, enfia no ouvido e, com um isqueiro, queima o outro lado da planta. É alívio imediato, principalmente se não é quase meia-noite de um domingo e você tem milhares de caules de mamoeiro à disposição.

Só sei que eu continuo surda, mesmo recorrendo à alopatia.