Na época em que era legal ter Orkut, ser amigo do Pereba Nogento, existia uma comunidade do saudoso Golias Miranda que já previa o futuro fracassado da gastronomia mundial: Comidas Babacas. Na descrição, algo como sorvete de dez sabores e não lembro mais o quê.

Antes tivesse parado nisso, lhes digo. Porque no sábado eu tive o prazer de descobrir que o cardápio de alguns restaurantes anda ficando LÚDICO, pra botar num adjetivo mais leve.

Fui num aniversário em uma pizzaria rodízio, e logo que me sentei veio a mocinha oferecer um pedaço de pizza de frango com catupiry. Sim, estamos mais do que acostumados com o sabor caipira nas pizzas mais em conta. Frango com catupiry já é COISA NOSSA. Mas em seguida começou o show de horror: pizza de frango ao molho barbecue (confesso, experimentei, mas me arrependo), de strogonoff, de picadinho de filé, de CACHORRO-QUENTE. Sério. Pizza de cachorro-quente, com direito a ervilhas, batata palha e milho, algo que por si só já é uma invencionice. Saí de lá aguardando a gastrite por contato visual.

Aí o evento me fez pensar nas coisas que ando vendo no supermercado: fandangos de churros, bubbaloo de sorvete napolitano, miojo de misto-quente… Velhos tempos em que eu brigava com minha mãe por ela comprar biscoito de torta de limão – hoje parece perfeitamente razoável. E a pizza no cone? E a maldição do temaki/kony? (Eu sei, Regina Casé já falou de tudo isso no Fantástico de domingo, mas o tema era tendência) Gente, não é que isso tudo é gostoso, a gente tá falando de comida, tem que ser bom e não engraçado. Eu não peço um prato pra ficar rindo na frente dele, cacilda!

E o negócio da coxinha de vários sabores? Gente, co-xi-nha, a da galinha, therefore, DE FRANGO. Se fosse de carne, ou era coxão mole ou risoles.

Eu tenho medo, sabe? Medo do dia em que as comidas babacas reinarão soberanas, além do perímetro dos botecos de rodoviária. Ou do dia em que a culinária do Ferran Adriá (que pra mim chega a ser tão tonta quanto – eu gosto de Cheetos, lembra?) vai encontrar com suas parentes distantes brasileiras, e seremos obrigados a, como já previu Nosferata, INJETAR UMA PAMONHA.