Numa clareira do parque, a mulher gritava com alguém. O guarda desceu para ver e voltou dizendo “Acredita que é com o telefone?”. E ela implorava: “Prefiro morar num cubículo e pagar aluguel do que morar com você, mamãe”. Um momento com data apropriada para se dizer a verdade.
“Mamãe, eu quero paz!”

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No restaurante, o cara alto, magro, grisalho e bonito entornava a garrafa número 3 de cerveja. A voz do pedido era meio embargada. “Aôu, uma Orizinau!”. Fumava Carlton e olhava para a rua. Não comeu nada. Na hora de pedir a conta, contestou as seis cervejas – eram só cinco. Depois, a nossa conta foi para ele, ao que ele arguiu que não tinha pedido Coca-Cola (nem picanha, nem água, só cerveja).
Saiu de lá cambaleando e entrou no carro. O garçom e nós dois pedimos secretamente para que ele não cruzasse o caminho de nenhuma família que comemorasse o dia das mães.

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E eu passei o domingo com a pele ardendo e o corpo fraco.