Agora que tenho tempo para suspirar com a vida irreal do Leblon, enumero alguns motivos (como se precisasse) para assistir à reprise de Mulheres Apaixonadas:

1 – Os diálogos são verdadeiros discursos: ninguém ali bate papo, elabora-se uma tese. Os verbos nunca vêm acompanhados das pessoas, e um convite pode ser feito somente com uma palavra, i.e. “Jantamos?”

2 – A Helena sempre vem acompanhada de uma amiga encalhada e cheia de chavões. A da Torloni, no caso, também é pinguça.

3 – Sempre existe uma personagem ricaça e completamente dellusional, que vive de bem com a vida e tem a solução para todas as PEQUENEZAS do dia-a-dia. Susaninha Ameixa-Seca faz esse papel com maestria. Separada e civilizada, namorando um jagunço com idade para ser filho dela, mãe de uma chata, ela termina seus raciocínios com alguma frase espirituosa e uma proposta – banho, compras, um bom jantar.

4 – Os personagens felizes são extremamente felizes. Os infelizes vivem à beira da loucura. O que me faz pensar que o autor tenha intenso convívio com maníacos-depressivos.

5 – Os tempos no Leblon são sempre de vacas gordas, e não estou falando das atrizes. Um ou outro personagem passa por crises financeiras durante a novela, mas em contrapartida há sempre um vizinho com um cheque em mãos, pronto para salvá-lo. Afinal, o que são R$ 500 hoje em dia?

6 – Nessas novelas, o Zemayer honra cada uma de suas rugas da testa. Ô homem prá fazer personagem grosso e infiel! Tá com uma, come outra, tem um amor perdido no passado e invariavelmente acaba a novela com a Helena.

7 – As sugestões dadas por qualquer personagem são sempre acompanhadas do adjetivo “bom”. Um bom vinho, um bom banho, um bom livro, um bom clister. Agora, vocês conhecem alguém que ofereça alguma coisa seguida de “ruim”? Que não faz o menor sentido.

Com tudo isso, não perco mais nenhum capítulo da reprise, até que as “férias” acabem.