Conheci o Jeff em uma festa, quando ele entrou no banheiro feminino querendo confusão. Eu nunca ia me esquecer daquelas tatuagens, uma com o logo do Air.
Nos aproximamos mais durante uma viagem, e a partir dela criamos uma tradição de cobiça ao parceiro alheio (da parte dele, sempre), piadas chulas, apelidos sem sentido e citação jocosa de bons momentos – “cafés, cervejas, viagens, amigos, passeios, ligações e reticências”. Éramos as macacas um do outro.
Nas últimas semanas, durante A Favorita, ele me mandava mensagens de SMS dizendo ser Carolina Ferraz. Na sexta, ele falou pela última vez que ia roubar meu namorado.

Saber que o Jeff morreu sem deixar chance de um último encontro dá um tremendo sentimento de culpa. Ainda espero alguém aparecer e dizer que a morte dele era engano, embora isso nunca aconteça. É o otimismo dos inconformados, acho.
Uma das últimas coisas que ele me confidenciou era que estava muito feliz, o que era raro ouvir daquela boca sarcástica e ranzinza. E vai ser isso que vai me confortar nesses dias de vazio.