Eu puxei o Mano pelo braço, apontei, e falei “Veja e entenda por quê eu estou com você”.
O cara não era feio a primeira vista, tampouco lindo. Tipinho comum, daqueles que usam camiseta justa de cores arriscadas e corrente de prata no pescoço. E chinelas, que ousado! A namorada tinha três estrelinhas atrás da orelha direita e bota de tranceira. É, aquela bota.
Em menos de cinco minutos no restaurante, ele já havia cometido umas oito faltas graves à mesa. Com as asas abertas tal qual uma galinha d’angola, ele ruminava (mastigar é prus fraco), gesticulava, lambia a faca, falava ao telefone aos brados e de boca cheia, e ria descontroladamente de/com um garçom específico. No meio do (pouco) assunto com a garota, ele levantava de repente e ia se servir no buffet. Ah, sim, e segurava os talheres como um neanderthal.
Nada se salvava. E pra completar, quando saímos, ele ficou secando o Mano.
Do pouco que eu consegui ler no balãozinho, ele pensava “Véi, é anabol. Certeza.”