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Teve uma época em que eu e minha irmã não éramos amigas, éramos irmãs. Falávamos uma vez por mês, por telefone, sobre amenidades. E-mail era evento raro, mesmo nas viagens dela. Só trocávamos mensagens em dois casos: 1. para fazer encomendas, 2. caso ela não estivesse encontrando minha mãe.
Aí teve uma viagem no meio do caminho, e depois de tentarmos nos matar na unha, ficamos amigas. Demais. Melhores amigas ever do mundo forever. Na volta, acabamos morando juntas, depois de uma década morando em cidades e até estados diferentes. Mais que isso, dividíamos tudo.
Tá. Domingo ela vai embora prá Austrália, para ficar por um ano, mínimo. E eu já tô correndo atrás do meu rabo prá fingir que vai ser tudo muito tranquilo, tudo muito normal. Não vai. A casa vai ficar vazia, eu vou ficar sem riso, o cachorro vai miar, ninguém vai tomar sorvete comigo no meio da tarde e nem mesmo sair no tapa de mentira e contar história do Lobo Bicha. Vou me afundar nos vícios Internet & Sudoku e ninguém vai me puxar desse buraco. E ela, eu sei bem, vai ficar ligando porque não vai se acostumar tão cedo com as faltas – que eu não quero que ela sinta, mas vai sentir.
Quero mais que tudo que ela não volte tão cedo, quero que ela cresça e aprenda um milhão de coisas. E prá isso quem vai sofrer somos nós que ficamos.
Mirovaldo, tá doendo.