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Bipolaridade foi o tema deste ano. Não que eu tenha me descoberto maníaca-depressiva, é só que nesses doze meses minha vida foi de uma estabilidade de montanha-russa. Tá bom, tá ruim, tá péssimo, tá lindo, vou morrer de lindo, vou me matar de ruim – foi bem assim.

Mas embora tenha sido BEM difícil, não vou mentir, eu não quero falar mal de 2009. Ando porraqui com nego reclamando da vida no blog, no twitter, no facebook, com aqueles lance de cartinha pra deus, sabe? “Favor sei-lá-o-que, grato”. Ah, vão cagar. Então eu só vou falar do que foi bom, que coisa ruim a gente sempre espera.

- Mudei de São Paulo para Brasília. Confesso, tinha um preconceito gigantesco com candangos em geral, afinal paulistano de verdade é quase gaúcho no quesito “doing it better” (oba, consegui ofender três ETNIAS na mesma frase!). Paguei a língua, amei a cidade, amei o esquema de vida, não quero me mudar tão cedo.

- Enfim um apartamento só meu, só meu. Nos últimos anos eu tive roommates e não era ruim, mas morar so-zi-nha é maravilhoso. Nem que isso implique em viver num espaço de 24m2, eu vivo pra decorar meu LAR. Te amo, muquifinho.

- Tive o melhor emprego do mundo, por apenas três meses. Eu nunca fui secretária, ainda mais de embaixador, e nunca imaginei que gostaria tanto de ser. Nesse tempo curto deu pra conhecer dois países diferentes, receber uma delegação, organizar eventos e pagar todos os micos correspondentes. Se não fosse uma crise aí, continuava por anos nessa função.

- Encontrei a bioenergética (solta o incenso de patchouli, produção!). Em um momento meio de desespero, acabei no consultório da minha mais nova terapeuta, que consegue curar tudo com sessões de porrada com bastão de baseball e esperneação. E tem dias que eu grito até passar.

- Comprei um carro. Ele ainda é só 2% meu, mas é melhor que nada.

- Comprei um arquivo e organizei todaminhapapelada. Sério, arquivo, assim. Nunca mais pago conta duas vezes, perco documento ou não acho o manual de algum aparelho. Tá tudo aqui.

Foi isso. Dá pra resumir 2009 como “o ano que eu virei gente”, tá valendo. E 2010 vai ser lindo, ah vai sim.

Meu namorado fala que quando eu tiver um filho, ele vai se chamar Cheetos Internet. Não sei se gosto dessa piada, mas é verdade.

Nas últimas semanas meu laptop andava meio lerdo, meio entupido de coisa, meio méh, então resolvi falar com a mulher que conserta os computadores da Embaixada e ela sugeriu uma formatação + anti-vírus do bom por uma barganha. Topei, mesmo descobrindo mais tarde que a razão da lerdeza era, entre outras coisas, o modo “power saver” que eu deixei, para poder ver filme na cama sem plugar o carregador.

Então na segunda eu entreguei o meu filhote pra moça. E assim começou o meu desespero.

Eu saio do trabalho todo dia às 16h. Em casa, não tem televisão. Eu não gosto muito da minha própria companhia e, pra completar, tava fazendo um calor desgraçado. Pensei em alugar um filme; lembrei que precisava do computador. Pensei em ouvir música; o iPod tava sem bateria e eu não tenho rádio. Pensei em enfiar os dois dedos… não, mentira, não pensei nisso não. Acabei descendo pro parque pra fazer sudoku na grama até que anoitecesse.

Quando voltei, ainda faltavam bem umas quatro horas para dormir; resolvi cozinhar. Descongelei um frango, destrinchei, temperei, cozinhei no microondas e depois pus no grill. Jantei, mas não o frango. Acabada a sessão Maravilhosa Cozinha, ainda faltavam umas duas horas pra me dar sono.

Arrastada em tédio, terminei um sudoku de 16 números, lavei o cabelo e tentei terminar meu livro até pegar no sono. Que noite lazarenta.

Moral da história: vou acatar a piada do Mano, mas prefiro chamar meus filhos de Mike Intosh e Michael Soft.

Lembra lá em 1915, quando eu disse que ia fazer um post antes-e-depois do meu muquifinho? Pois bem. O tempo passou, eu esqueci, aí lembrei, fiquei com preguiça e acabei desistindo. Eis que acordo ontem possuída pelo demônio das 12-horas-seguidas-de-sono e começo a mudar a casa toda de lugar; e aí, claro, deu a maior vontade de fazer as fotos. Vem comigo, então.

O apartamento (note a hipérbole)

Na verdade eu moro no que pode ser chamado de sala comercial, ou quitinete. Aqui quase não tem divisão, é tudo bem encaixado pra ser prático dentro dos 24 m2 – acho que foi por isso que demorou tanto tempo para eu considerar o lugar “decorado do meu jeito”. O que mais me conquistou foi a estante que “divide” cozinha de quarto – e segundo minha cunhada, é inspirada numa obra do Athos Bulcão, que fica no Palácio do Itamaraty.

Estante

estante, evoluindo


(clique nos thumbnails pra ver as fotos)

Quando eu aluguei, aqui era uma quiti com varanda, só que as esquadrias estavam velhas e mal pregadas, o que fazia a água da chuva entrar pelo vão de baixo. Além disso, tinha uma cortina de escritório hor-ro-ro-sa acoplada. Levei meses nas costas da imobiliária, cobrando para fechar a varanda com blindex e pedindo para tirar aquele show de horror de antes, até que eles mandaram uma dupla de faz-tudo mequetrefe, que acabou fazendo um trabalho de merda e até quebrando uma parede. Não se pode ter tudo. No entanto, ficou melhor: o espaço ficou mais amplo.

Janela

com esquadria/sem cama e sem esquadria/com cama

Na cozinha, coloquei aquela mesa que fiz com o Mano (ver aqui), já que ele saiu daquele cafofo e não precisou mais. No “escritório”, vulgo hall de entrada, mamãe me agraciou com uma mesa de vidro e cavaletes.

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mesa-mano

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mesa-madre


* a cadeira eu achei num usadão. linda, né?

Aí foi complementar e deixar com cara de casa. Um bom exemplo é a parede interna, que eu pendurei meus rrrobedechambre como se fossem obra de artchi, e botei uma sapateira embaixo pra dar um colorido. Comprei também um pufe maravilhoso assim que vendi o sofá fúcsia que comprei por impulso (e não merece ser retratado), e joguei ali no MUNDO DO ARCO-ÍRIS. A ver:

parede

pufe, te amo, você é lindo.

E os detalhinhos, que fazem toooda a diferêêêinça no dia-a-dia, néam?

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criado-mudo

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facção cozinha-quarto

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porta de entrada

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fotos pela casa

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there, i fixed it nécessaire

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uma rrrede preguiçosa pra deitar

Minha terapeuta diz que cuidar da casa é cuidar de si. Tô ou não tô cuidadinha?

Depois de quase uma semana na ilha, eis aqui algumas impressões de Cuba, sob o ponto de vista de quem não saiu do hotel em três dos cinco dias. Mas tá valendo:

- Esperava encontrar um país triste e miserável, encontrei um país colorido e de encher os olhos. É o que dá estudar história malemá.

- Cuba setoriza a chuva tanto quanto Brasília. No mar faz sol, na cidade, lá vai água.

- Styling Cuba: minissaia na altura dos dedos na coxa, coque alto e cara de “no tengo ganas de vivir”.

- Lá tem um prato ótimo que se chama “Estamos Sín”. É você pedir alguma outra coisa ao garçom, que ele logo te sugere esse.

- Aliás, a comida lá é ruim. E por comida, lembre-se que a minha amostra era a do hotel. As frutas são meio desbotadas e mais aguadas que as daqui. Só em Cuba você vai comer uma melancia e detestar.

- Os nomes femininos são um caso digno de estudo. Todos eles dão a impressão de terem sido criados num momento em que a pessoa tava com a boca pastosa de sede. É tudo com Y: Yuleides, Yoheini, Yuleika, Yecenia.

- Gente, os carros. OS CARROS. E as casas. Ay.

- As guayaberas, aquelas camisas com detalhes em fileiras, são maravilhosas! Quando cheguei no país, tava quase pedindo pra alguém tirar e me dar. Depois vi que vendia em todo canto e trouxe uma pro macho.

- No hotel faltou luz, faltou água quente, faltou telefone, faltou internet e o papel higiênico era vagabundo que só. Mas a vista da janela compensava uns dias de monge (não quando se está preparando uma recepção prum Sheik, mas detalhes, detalhes).

- As fotos, logo mais aqui.

O sumiço é autoexplicativo: quem muda de cidade ou tem muito a contar, ou muito a observar. No meu caso, tive também muito a organizar, já que os trabalhos entraram sem a casa estar totalmente de pé. Agora, acho que está. Quer dizer, já tive um sofá fúcsia, aí vendi, aí comprei um pufe, aí chegou a mesa – que ainda está embalada -, o armário chega não sei quando e a esquadria há de sair. Vai ver meu quarto o jeito que tá.

Ao mesmo tempo, vieram a audiência e as férias coletivas. Da primeira eu não vou poder falar o tanto que queria, afinal o evento aqui descrito mostra que estamos longe de poder contar a verdade. A VERDADE.

E as férias… um misto de descanso total com aquele meu timing perfeito para doenças. Aproveitamos a vinda da minha irmã para fazermos uma road-trip até Brasília, para trazer minhas coisas, e depois seguir para Pirenópolis (pode parar de rir). Foi ótimo se eu não tivesse desenvolvido uma alergia de contato que me transformou num bicho e uma azia de me deixar de cama. Agora, só como legumes crus e olho com saudades para os saquinhos restantes de Smith’s.

De resto, é tudo elocubração. Taí mais um post prestando contas não-requisitadas.

Há mais de um mês, meu namorado se mudou para Brasília para fazer mestrado, e um amigo dele ofereceu sua ex-garçonière, a.k.a. Cafofo do João, para que ele morasse. A ideia era que, com uma boa faxina e alguns móveis, o love shack ficasse pronto para morar em questão de dias, e assim o Mano poderia começar as aulas.

Só que, ao visitar o apartamento – quitinete, 12 metros quadrados – percebemos que ia levar bem mais que dias para deixar tudo morável, que dirá bonito. Encaramos o desafio e começamos as obras.

Para que o cafofo não parecesse tão diminuto, o primeiro passo foi pintar a parede dos fundos de um tom mais escuro. O Mano escolheu um bege-acinzentado, para não enjoar logo na primeira semana.

"de pincel na mão, eu vivo passando tinta..."

de pincel na mão, eu vivo passando tinta...

Aí foi a vez de descobrir que o banheiro precisava de muito mais que só uma pia com gabinete. Trocaram a pia, a torneira, a privada (que estava com a louça ali para quebrar) e o chuveiro, além de ter que chamar um eletricista para trocar a fiação do interruptor, que era feita do mais puro GATO.

amiga, você usaria esse banheiro?

amiga, você usaria esse banheiro?

Comprados os móveis, o Mano já estava com a ideia de fazer um balcão para dividir o ambiente. Fomos atrás de chapas de MDF e encontramos uma com uma textura bem legal, de vários tons de madeira. A cama foi outra produção d’O Príncipe da Bricolagem. Com quatro tábuas de dois metros de pinus e mais algumas menores, ele fez uma cama baixa e com espaço para guardar coisas nas divisórias de baixo.

Por fim, completamos com prateleiras, uma cortina verde embaixo da pia, persiana, ventilador de teto, acessórios de banheiro, etc.

O lugar que outrora deixou meninas de bexiga cheia e pele acinzentada pela poeira, hoje é digno de Apartment Therapy. Mais fotos logo abaixo.

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a maravilhosa cozinha

a maravilhosa cozinha

so feio, so lindo

so feio, so lindo

Toda volta de Brasília me deixa saudosa dos meus quinze anos whoreislandenses, não sei bem por quê. Aqui alguns dos melhores acontecimentos da última ida:

- A recepção foi digna de novela. Cada estadia, uma mordomia. Obrigada, hospedeiros!

- Passei uma noite em um hotel desses de quando a cidade ainda estava sendo construída. A entrada parecia uma nave e os corredores terminavam em curva. O banheiro era rosa e verde-água, o quarto tinha armários com puxadores de acrílico e eu quero morar lá.

- Finalmente, posso dizer que entendo o esquema de quadras da capital. Foi tipo problema de lógica, mas agora já posso até dar palestra sobre.

- Quero azulejos do Athos Bulcão. Criados, mexam-se!

*E o Gran Finale*

- Conheci o lugar onde Impávido Colosso treinou nos seus anos de ginasta, e tive uma aula detalhada de salto mortal. Tipo, realizei meu sonho. Para completar o Dia de Daiane, aprendi a pular numa cama elástica também.
TÁ VENDO, MÃE?

Agora que tenho tempo para suspirar com a vida irreal do Leblon, enumero alguns motivos (como se precisasse) para assistir à reprise de Mulheres Apaixonadas:

1 – Os diálogos são verdadeiros discursos: ninguém ali bate papo, elabora-se uma tese. Os verbos nunca vêm acompanhados das pessoas, e um convite pode ser feito somente com uma palavra, i.e. “Jantamos?”

2 – A Helena sempre vem acompanhada de uma amiga encalhada e cheia de chavões. A da Torloni, no caso, também é pinguça.

3 – Sempre existe uma personagem ricaça e completamente dellusional, que vive de bem com a vida e tem a solução para todas as PEQUENEZAS do dia-a-dia. Susaninha Ameixa-Seca faz esse papel com maestria. Separada e civilizada, namorando um jagunço com idade para ser filho dela, mãe de uma chata, ela termina seus raciocínios com alguma frase espirituosa e uma proposta – banho, compras, um bom jantar.

4 – Os personagens felizes são extremamente felizes. Os infelizes vivem à beira da loucura. O que me faz pensar que o autor tenha intenso convívio com maníacos-depressivos.

5 – Os tempos no Leblon são sempre de vacas gordas, e não estou falando das atrizes. Um ou outro personagem passa por crises financeiras durante a novela, mas em contrapartida há sempre um vizinho com um cheque em mãos, pronto para salvá-lo. Afinal, o que são R$ 500 hoje em dia?

6 – Nessas novelas, o Zemayer honra cada uma de suas rugas da testa. Ô homem prá fazer personagem grosso e infiel! Tá com uma, come outra, tem um amor perdido no passado e invariavelmente acaba a novela com a Helena.

7 – As sugestões dadas por qualquer personagem são sempre acompanhadas do adjetivo “bom”. Um bom vinho, um bom banho, um bom livro, um bom clister. Agora, vocês conhecem alguém que ofereça alguma coisa seguida de “ruim”? Que não faz o menor sentido.

Com tudo isso, não perco mais nenhum capítulo da reprise, até que as “férias” acabem.

A Casa do Teatro da Vida resolveu aderir aos produtos orgânicos, há duas semanas. Seguimos a dica da Zel e pedimos uma cesta do Sítio A Boa Terra. Alguns dias antes eles me enviaram a lista de hortaliças que vinham na cesta e, no dia combinado, ela chegou. Agora, as considerações:

- Moramos em dois e comemos fora na maioria do tempo. Ou seja, nos sentimos obrigados a comer mais em casa, e com isso virei – falo por mim – uma MURRINHA.

- Os produtos são orgânicos, certo? O que quer dizer que eles não contêm agrotóxicos e bla bla bla. O que quer dizer que, se não comer, eles estragam muito mais rápido que o que a gente está acostumado. Tipo, MUITO mais. As mixiricas já se foram, e o fim das laranjas está bem próximo. Já a mandioquinha eu não quero nem ver, é obrigação do Jorge.

- Por outro lado, jantar salada e sopa de legumes fresquinha da uma sensação super assim, MOLICO, de vida saudável.

Cruzando seu caminho nos melhores feriados no Rio.

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